O Monsenhor João Agripino nasceu no dia 09 de
novembro de 1924, no então Distrito de Cruzeta, Município de Acari, filho de
João Batista Dantas e Maria Margarida Dantas. Desde cedo se sentiu vocacionado
para o sacerdócio. Interessante anotar que outras duas irmãs - Estanislava e
Olympia – também seguiram a vida religiosa, tomando hábito na Congregação
Filhas do Amor Divino.
Menino de sítio, João Agripino Dantas aprendeu com
a própria mãe a cartilha do ABC. Depois de estudar em Cruzeta, São José do
Seridó e uma rápida passagem por Jardim do Seridó, ainda muito jovem, ingressou
no Seminário São Pedro, em Natal, onde estudou de 1938 a 1943. Nos anos de 1944
a 1945 esteve no Seminário da Paraíba, em João Pessoa, e de 1946 a 1950 na
Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma. Aliás, foi ordenado sacerdote ainda
em Roma, no dia 4 de março de 1950.
De volta ao Seridó, Padre Agripino, como passou a
ser chamado pela maioria das pessoas, lançou-se na caminhada do magistério
culminando, recentemente, com o reconhecimento de sua brilhante atuação através
do título honorífico de Professor Emérito da Universidade Federal do Rio Grande
do Norte. Foi, de fato, um longo e bem firme caminho passando pelo Seminário
Santo Cura d’Ars, Colégio Diocesano Seridoense, Colégio Normal de Caicó, Educandário
Santa Teresinha, Colégio Comercial de Caicó, Centro Educacional José Augusto,
Faculdade Cardeal Eugênio Sales e UFRN, instituições onde ministrou latim,
matemática, português, educação moral e cívica, dentre outras. Como bem lembra
o sabugiense e professor universitário João Quintino de Medeiros Filho em
artigo sobre Padre Agripino: “cognominado enciclopédia ambulante”, um “grande
sábio, sempre pronto a dividir os seus conhecimentos nas mais variadas ocasiões
e lugares”.
O jornalista Aluísio Lacerda, na condição de
ex-aluno, narra um episódio que ilustra a grandeza do mestre: “Nunca esqueço da
primeira prova aplicada pelo mestre no 1º ano do científico, turma da ‘sala da
caveira’. Mais de 50% da classe obteve nota vermelha. Na aula seguinte, Padre
Agripino entra ligeiro na sala de aula (jovem, ele andava quase correndo) e
comenta:
– A prova foi horrível. Vou anular o teste.
Desaprendi a ensinar. E resumiu em 45 minutos toda a matéria dada até ali. Nova
prova foi aplicada 3 dias depois e todos conseguiram bom conceito.”
Como sacerdote, Padre Agripino foi completo. Homem
firme no exemplo, generoso na caridade, reverente à simplicidade e atento a
obediência. Atuou em muitos lugares do Seridó, mas em Caicó, Jucurutu, Serra
Negra do Norte, Jardim de Piranhas, Ipueira e São João do Sabugi fincou maiores
raízes por ter assumido cargos de administração e pastoreio. Em São João, em
particular, foi o primeiro Pároco e lá resolveu residir definitivamente nos
últimos anos. Por onde passou – na Igreja e no Magistério - deixou marcas de
simplicidade, honradez, firmeza e sabedoria. Em reconhecimento ao Padre que
foi, a Igreja Católica lhe outorgou o título de Monsenhor, justa honraria
eclesiástica que fez por merecer.
Monsenhor João Agripino Dantas faleceu no dia 10
de fevereiro de 2016, aos 91 anos de
idade. Na festa de seus 85 anos parecia antecipar uma despedida: “segundo a
doutrina Cristã, a morte não é um fim definitivo, mas sim uma fase de transição
para a vida eterna. A morte é a hora de voltar para casa, para a casa do Pai
Celeste”.
E, assim, na fé, na esperança e na caridade, ele
partiu deixando um grande vazio em São João do Sabugi e no Seridó. Há quem
sustente que ninguém é insubstituível, mas, no caso presente, a tese deve ser
reavaliada.
*Fernando Antonio Bezerra é
potiguar do Seridó
FONTE – ASSESSOR